In 2017, at UFF, the colloquium “Modes of Being South: territorialities, affections and powers” was held and organised.

Since 2015, professors and students from PPGCOM have taken part in seminars that took place in Germany, Mexico, South Africa and Brazil. Moreover, courses have been promoted in Germany and in Mexico, through academic mobility, with the objective of discussing issues related to the Global South.

It is interesting to remember that in 2012, the [Seminar + Show] “Poetics of the Otherness”, which has been held at the Rio de Janeiro Museum of Modern Art, already drew attention to issues related to Global South, even though it wasn’t the focus point of the problem.




Fórum Internacional 2020
06 jul 20

FUTUROS EM CONSTRUÇÃO: BEM-ESTAR E SUBJETIVIDADES NO SUL GLOBAL - Em face aos múltiplos cenários de crise global atuais, surge a questão de como os futuros no Sul Global podem ser moldados de modo a serem orientados para o bem-estar das pessoas e das formas de vida auto-determinadas. É por isso que as categorias de “bem-estar” e “subjetividade” atualmente se encontram no centro de um campo de conflito global cultural e político, no qual as possibilidades de se moldar o futuro no Sul Global estão sendo negociadas, já que, de acordo com Appadurai, a capacidade de aspirar a uma boa vida é distribuída de forma bastante desigual. O “bem-estar” tem papel central na arena transnacional de políticas de desenvolvimento e é, por exemplo, priorizada por instituições como a OMS ou a ONU. Enquanto o “bem-estar” certamente dá coerência a uma série de aspirações para o futuro da humanidade, o conceito transporta certas noções de subjetividade, agência e articulação que demandam uma investigação crítica. Sem surpresas, muitos comentaristas e movimentos sociais proeminentes do Sul rejeitam noções implícitas de modernização e desenvolvimento que ignoram as condições culturais e sociais específicas e o conhecimento local. Os debates culturais e políticos subsequentes abrangem políticas institucionais, ativismo social, modelagem midiática e imaginários culturais, incluindo também a esfera das práticas cotidianas. Não menos necessário é o debate sobre o “bem-estar” no nível epistemológico: no qual as ciências sociais tendem a ligar o conceito a categorias quantificáveis - como por exemplo na definição dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODSs) da ONU - vertentes teóricas alternativas criticam a orientação fundamental de tais abordagens aos ideais de crescimento e progresso individualista. Tais posições - comumente articuladas no Sul - se referem a conceitos autóctones como “Buen Vivir” e “Sumak Kawsay” na América Latina, “Swaraj” na Índia, “Ubuntu” na África ou “Country” na Austrália indígena, que são baseados em um estilo de vida sustentável orientado para a comunidade e a natureza. A questão geral de compatibilidade, comensurabilidade ou paralelismo dessas abordagens de bem-estar com campanhas globais voltadas para o “desenvolvimento sustentável” ou para a “economia verde” é intensamente discutida e frequentemente negada. Discussões afins são conduzidas, por exemplo, no "International Platform on Biodiversity and Ecosystem Services" (IPBES), no qual o “bem-estar” exerce papel explícito e central, e é entendido com um enquadramento pluralista de valores “Ocidentais” e “não-Ocidentais”. O movimento de “decrescimento” e temas associados de “décroissance et joie de vivre”, mostra que debates similares e conectados também têm ganhado apoio no Norte Global. O Fórum busca debater vários modelos e conceitos de “bem-estar” através dos campos da saúde, educação, trabalho, prosperidade econômica, participação comunitária, criação cultural, espiritualidade, ética e sustentabilidade, e questionar sua significância para aspirações de um futuro (melhor). Discutiremos como as relações entre modelos diferentes são negociadas nas interdependências locais, regionais, nacionais e globais do Sul Global, nos campos mencionados acima, e quais efeitos a dominação ou imposição de modelos específicos de “bem-estar” podem ter nas práticas sociais, culturais, politicas e religiosas.